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terça-feira, fevereiro 20, 2007

Noites tropicais (15)

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Emílio Santiago - Bossa nova (2000)
A Bossa nova evoca os anos dourados do Brasil: os finais dos anos 50 e inícios dos anos 60. Parecia então que ninguém parava o Brasil... Foram anos de grande crescimento económico; da presidência de Juscelino Kubitschek de Oliveira; da primeira Copa do Mundo; da construção de Brasília... Anos em que crescia uma classe média à qual parecia destinado um futuro auspicioso. Hoje sabemos que foi, em larga medida, uma ilusão. Mas foi da classe média-alta citadina que brotou a bossa-nova. Como uma espécie de metáfora de bem-estar material e espiritual. É certo que teve abundantes fontes populares de inspiração, mas sem perder, de facto, o seu carácter elitista. A imagem aplica-se perfeitamente aos "pais fundadores": João Gilberto e Tom Jobim. O imediato êxito que tal produto obteve nos Estados Unidos consolidou ainda mais esse carácter. Tornou-se, assim, uma das imagens de marca da música popular brasileira e praticamente todos os seus grandes nomes não prescidem de, no mínimo, lhe prestar intermitentes homenagens. O que Emilío Santiago faz neste álbum está longe, portanto, de ser inovador, tanto mais que ao longo da sua série de álbuns Aquarela brasileira a bossa nova está bem representada. Porém, entre muitos clássicos e outros menos clássicos do género, este álbum demonstra melhor do que qualquer outro que as potencialidades da sua voz se coadunam como poucas à cadência suave e quente da bossa. A aveludada orquestração reforça ainda mais a suavidade e o calor.
Um dos melhores resultados deste dispostivo pode ser saboreado no tema
Doce viver, de Nelson Motta. Ainda por cima trata-se de um hino nostágico às delícias da juventude, daquela juventude privilegiada que frequentava as praias de Leblon e Ipanema. Nada melhor se ajusta à noção de anos dourados. É uma evocação biográfica e, sabendo como Nelson Motta, conviveu intimamente com o núcleo fundador da bossa, pode-se dizer que é um testemunho do ambiente em que ocorreu essa bem-aventurada criação.

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Emílio Santiago - Doce viver in Bossa nova (2000)

Noites tropicais (14) (7 remake)

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Emílio Santiago - Beija-flor (1998)
A música popular brasileira teve sempre ampla difusão em Portugal. Contudo, a popularidade alcançada deste lado do Atlântico nem sempre é proprcional à da origem. Se assim fosse, Emílio Santiago seria cá mais conhecido. Sabe-se como as vozes negras têm muitas vezes um travo bem identificativo. Pois, esta voz é um bom exemplo. Encaixa-se perfeitamente no tópico de "negão" - quente e poderosa. Diga-se que tais qualidades são apropriadas para a bossa nova e para o samba-canção... Não surpreende, portanto, que no seu repertório haja frequentes incursões nestes géneros.
Este álbum é posterior à série de álbuns Aquarela Brasileira, ao longo da qual o cantor se espraiou por clássicos da bossa e, sobretudo, do samba-canção. Foi um prolongado exercício nostálgico, comercialmente compensador. Contudo, esses álbuns eram interessantes pela matéria-prima e pela voz, mas algo limitados pelo conceito e orquestrações. Com efeito, a sistemástica utilização do medley e de arranjos convencionais caracterizam a série Aquarela. As suas qualidades de intérprete acabariam por ser melhor aproveitadas nos últimos álbuns, os quais reflectem conceitos de produção mais refinados. Beija-Flor está produzido por Mazzola e é um trabalho elaborado, bem acabado e coerente. Apesar da presença de canções de compositores mais jovens (Lulu Santos, Chico César), há algumas de compositores mais antigos (Ivan Lins), alguns temas clássicos da canção brasileira e, mesmo um dos meus boleros preferidos, Esta tarde vi llover, de Armando Manzanero. Há grande variedade de interpretações deste famoso bolero, pois a que aqui se apresenta é excelente. Enfim, para este tipo de vozes o bolero vem mesmo a calhar... Contudo, o ponto mais alto deste álbum de elevado valor médio, está em temas genuinamente brasileiros, entre as quais destaco o clássico Brigas.
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Emílio Santiago - Brigas in Beija-flor (1998)

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Noites tropicais (13)

Roberto Carlos - Amigo (1977)
Desde há muito que a carreira de Roberto Carlos se desenvolve em trâmites rotineiros. Um álbum de originais, cujo título é tão-só o nome do cantor, e um programa especial na Rede Globo cada ano, sempre pela mesma altura. Volta e meia enceta uma digressão. Contudo, para os mais atentos, é visível a existência de fases bem marcadas, só que a evolução que as traçou foi acompanhando a natural evolução das gerações que constituíram o seu público e deu-se sem rupturas. Assim, o rocker rebelde dos anos 60 deu lugar, quase sem se dar por isso, ao místico artífice de hinos religiosos dos anos 70. Paulatinamente, chega aos 8o, consolidado na condição de cançonetista clássico que abarca vários estilos enquadráveis nos gostos convencionais dos públicos mais maduros. A descrição desta evolução não pode, porém, deixar passar em branco o facto de, pontualmente, ter lançado êxitos de vendas que excederam o volume médio garantido de vendas apreciáveis. O caso mais notório foi, nos finais da década de 70, Amigo, tema dedicado a Erasmo Carlos, seu dilecto companheiro de composição (Veja-se o video que ilustra eloquentemente a sua natureza de dedicatória). Este foi, talvez, o maior êxito de toda a sua carreira, pelo menos em número de vendas excedeu certamente os míticos êxitos dos anos 60.

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Noites tropicais (12)

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Roberto Carlos - Roberto Carlos em ritmo de aventura (1967)
Este álbum é um dos mais representativos da fase inicial de Roberto Carlos. Corresponde ao filme homónimo que foi um dos marcos que assinalou a explosão do fenómeno Roberto Carlos como expoente da jovem música brasileira nos anos sessenta. Ele representou para o Brasil (e não só...) o que os Beatles representaram para o mundo. Teve impacto com a imagem de jovem rebelde e com a música rítmica onde imperavam as guitarras eléctricas e o órgão Hammond. Tinha ainda uma voz e uma pose que, seguindo os padrões do rock & roll, era uma receita que arrasava por todo o lado.
Para mim este álbum ficará sempre ligado a um São João do Porto, tinha eu dez ou onze anos. Por todo o lado se ouvia o grande êxito Quando, em especial naqueles bailaricos dos largos e recantos, onde as populares rusgas se detinham ou formavam. Por estranho que possa parecer, é e será sempre, para mim, a música emblemática do São João do Porto, quando o martelinho de plástico ainda não se tinha imposto ao alho porro e à ramalhosa...
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Roberto Carlos - Quando in Roberto Carlos em ritmo de aventura (1967)

sexta-feira, novembro 03, 2006

Noites tropicais (11) (3 remake)

João Gilberto - Amoroso (1977)
Alguém disse (foi José Nuno Martins no saudoso Os Cantores do Rádio) que este seria o melhor álbum de sempre da música brasileira. Sem abandonar o espírito da bossa-nova, João Gilberto fez aqui um exercício de sofisticação e cosmopolitismo. Sofisticação que decorre tanto da sua forma de cantar (mais sussurrante do que nunca) como dos voluptuosos arranjos de Claus Ogerman. Cosmopolitismo, porque interpreta três temas não brasileiros: 'S Wonderful, de Gershwin; Estate, de Bruno Martino; Bésame Mucho, de Consuelo Velázquez (já anteriormente o tinha gravado, mas de um modo bem mais convencional). O curioso é que a sua inépcia linguística é um must adicional - um italiano e um castelhano que soam assim divinamente adocicados! Estate alarga-se por seis minutos e meio, tornando-se aqui uma espécie de afrodisíaco para espíritos refinados. Com o famoso bolero a receita intensifica-se. A cadência lentíssima e aveludada alarga-o por quase nove minutos de puro êxtase. Mas se parece impossível superar o transe destas emoções, há que esperar até ao último tema, Retrato em Branco e Negro (Zingaro), de Tom Jobim. Está para além da perfeição!
Esta obra-prima foi gravada em finais 1976 e início de 1977, entre Nova Iorque e Los Angeles e parece ser o culminar de uma década e meia em que o gosto norte-americano se rendeu à bossa-nova.
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domingo, março 05, 2006

Noites tropicais (10)



Astrud Gilberto - Astrud Gilberto Plus James Last Orchestra (1986)
Astrud Gilberto foi a voz (e em certa medida também o corpo) que personificou a Garota de Ipanema. Em 1963 protagonizou com João Gilberto (então seu marido) e com Tom Jobim o boom da bossa-nova. A eles se juntou o saxofonista de jazz Stan Getz. Como se não bastasse tanto talento junto, o produtor Creed Taylor (trabalhava então para a Verve) caprichou em cuidar superiormente este novo género e surgiram então algumas obras-primas.
Astrud rompeu os seus laços maritais e ficou nos Estados Unidos. Filha de mãe
baiana e de pai alemão, tinha uma voz original (quente, num sensual timbre de gatinha doce...), assim como uma figura ajustada aos padrões de beleza dos sixties. Com o tempo, o seu repertório foi deslizando de um género reconhecido e respeitado (incluindo o exigente público do jazz) para algo mais vulgar. Em meados dos anos 70 a sua estrela já tinha declinado. Só saiu da penumbra em meados dos anos 80 com este álbum. É um produto declaradamente easy listening ou não fosse co-protagonizado pelo inefável James Last mais a sua orquestra. Por uma vez, porém, este famoso orquestrador (alemão, como o pai de Astrud) abandona os pastiches e demonstra cabalmente as maravilhas de uma grande orquestra ligeira. Há ainda as participações de Ron Last e Paulo Jobim (como pares para duetos). A produção tem uma qualidade fantástica e o exercício de embalar com sofisticação e requinte temas brasileiros, ou de sabor brasileiro, resulta em cheio! A voz de Astrud (já quarentona) ainda patenteia aquele timbre inconfundível... Claro está que um certo pedantismo não deixará de encarar produtos como este com o desprezo que costuma votar ao easy listening. Haverá mesmo quem diga tratar-de de música de elevador... Pois que seja, mas é pura delícia para ouvidos civilizados, sugerindo champagne and caviar (é este, apropriadamente, o título de um tema... composto pela própria Astrud), penthouse, piscina, limousine e tutti quanti o bom-gosto e o dinheiro podem dar... Como sabe bem este muito suave tropicalismo artificial!
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domingo, dezembro 25, 2005

Noites tropicais (9)

Laura Fygi - The lady wants to know (1994)
Gratíssima prenda de Natal esta! Na absurda dinâmica de prendas eis que, às vezes, caem coisas verdadeiramente importantes no sapatinho. Não conhecia Laura Fygi até há pouco. É holandesa e canta sobre repertórios cuidados e submetidos a tratamento jazzy. Não percebo porque outras vozinhas femininas muito jazzy e mutíssimo in têm uma projecção superior. Ou melhor, percebo, mas... é insensato. Em primeiro lugar, esta holandesa moreníssima (e belíssima!!!) tem uma voz fantástica - quente e grave, com um travo amargo. Das melhores que já me foi dado escutar! Depois, tal como se nota neste álbum, tem um repertório sábio que se espraia até onde as suas qualidades vocais podem ser ainda mais valorizadas. Predomina um clima de bossa-nova que impregna até muitos standards que marcam aqui também avultada presença. Como cereja no topo do bolo temos aquele que para mim é um dos melhores boleros de todos os tempos - Sabor a Mí, de Álvaro Carrillo. Que dizer deste Sabor a Mí na voz de Laura Fygi...? É demais! Enfim, neste Natal tão triste para mim, eis algo que me aconchega um pouco a alma...
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sexta-feira, novembro 04, 2005

Noites tropicais (8)

Elis Regina / Tom Jobim - Elis & Tom (1974)
Que dizer de um álbum destes? Quem não o conhece vive nas trevas. Dois génios juntam-se e dá nisto... Ontem, um amigo meu sugeriu-me que seria adequado dedicar um post a este que ele crisma como "o álbum dos álbuns" e dei por mim a dar-me conta como é bom reouvi-lo com regularidade para exercitar a sensibilidade e a emoção... Muito se pode dizer sobre Elis e Tom Jobim. Vou limitar-me a levantar algumas pontas marginais: 1 - Há algo de canalha na voz de Elis; 2 - Há uma encantatória cadência melódica na inspiração jobiniana, digamos, uma intrínseca brasilidade; 3 - Há, no final de Águas de Março uma displicente e cúmplice risada que traduz um espírito de arte pelo prazer, ao qual os espíritos finos e tocados pela graça acedem com naturalidade; 4 - Há ainda a voz de Tom, frágil e sempre no fio da desafinação, que soa aqui e ali de forma oportuna numa demonstração de como a perfeição não dispensa adoráveis imperfeições...; 5 - Há, enfim, Inútil Paisagem, que encerra a função, e é entre tantas jóias, a minha jóia preferida, a mais eloquente tradução musical do abandono e da solidão amorosa...
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sábado, setembro 24, 2005

Noites tropicais (7)

Emílio Santiago - Beija-Flor (1998)
A música popular brasileira teve sempre ampla difusão em Portugal. Contudo, a popularidade alcançada deste lado do Atlântico nem sempre é proprcional à da origem. Se assim fosse, Emílio Santiago seria cá mais conhecido. Sabe-se como as vozes negras têm muitas vezes um travo bem identificativo. Pois, esta voz é um bom exemplo. Encaixa-se perfeitamente no tópico de "negão" - quente e poderosa. Diga-se que tais qualidades são apropriadas para a bossa nova e para o samba-canção... Não surpreende, portanto, que no seu repertório haja frequentes incursões nestes géneros.
Este álbum é posterior à série de álbuns Aquarela Brasileira, ao longo da qual o cantor se espraiou por clássicos da bossa e, sobretudo, do samba-canção. Foi um prolongado exercício nostálgico, comercialmente compensador. Contudo, esses álbuns eram interessantes pela matéria-prima e pela voz, mas algo limitados pelo conceito e orquestrações. Com efeito, a sistemástica utilização do medley e de arranjos convencionais caracterizam a série Aquarela. As suas qualidades de intérprete acabariam por ser melhor aproveitadas nos últimos álbuns, os quais reflectem conceitos de produção mais refinados. Beija-Flor está produzido por Mazzola e é um trabalho elaborado, bem acabado e coerente. Apesar da presença de canções de compositores mais jovens (Lulu Santos, Chico César), há algumas de compositores mais antigos (Ivan Lins), alguns temas clássicos da canção brasileira e, mesmo um dos meus boleros preferidos, Esta tarde vi llover, de Armando Manzanero. Há grande variedade de interpretações deste famoso bolero, pois a que aqui se apresenta é excelente. Enfim, para este tipo de vozes o bolero vem mesmo a calhar... Contudo, o ponto mais alto deste álbum de elevado valor médio, está em temas genuinamente brasileiros, entre as quais destaco o clássico Brigas.
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segunda-feira, novembro 08, 2004

Noites tropicais (6)

Zizi Possi - Sobre Todas as Coisas (1991)
Portugal teve sempre o privilégio de estar próximo da música brasileira, tendo aqui os seus artistas ampla divulgação e popularidade. Contudo, este facto pode iludir que alguns nomes importantes permanecem pouco menos que deconhecidos entre nós, o que é válido para a paulista Zizi Possi (de ascendência napolitana).
Sobre Todas as Coisas nasceu como show e só depois passou á condição de disco, o que se nota, aliás, em certos aspectos do seu conceptualismo. Note-se que a artista tem uma voz de grande beleza e é ao mesmo tempo pianista de formação clássica. Sobre esta base privilegiada, a partir de finais dos anos 80 (com Estrebucha Baby), a sua carreira beneficia de um salto qualitativo, com produções sofisticadas e com um cada vez mais apurado critério na escolha de repertório. No caso em apreço, os temas são standards da canção brasileira ou da autoria de nomes grados da MPB - é, portanto, um disco eminentemente brasileiro. Porém, acentua-se uma configuração intimista que se assume, por vezes, como recriação num plano de intenso lirismo e delicadeza. É um produto do mais refinado bom-gosto, parecendo ser estes adjectivos que naturalmente emanam da sua figura de sempiterna beleza...
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domingo, outubro 03, 2004

Noites tropicais (5)

Roberto Carlos - Detalhes (1971)
Para mim, Roberto Carlos é mesmo O Rei... da MPB (Música Popular Brasileira). É incompreensível que quando se apresente a MPB não se saliente, desde logo, este facto. Não se entende que a sua carreira, por ter assentado numa trajectória de êxito comercial, seja menosprezada. É um profissional exemplar, além de que as suas qualidades interpretativas jamais recorreram ao artificial e o seu posicionamento musical, durante os primeiros 10 anos da sua carreira, esteve na vanguarda ou próximo.
Este CD é a reedição de um LP que, não sendo o melhor da sua imensa discografia, tem o privilégio de abrir com Detalhes - para mim, uma das mais belas canções de sempre! É a "jóia da coroa" da profícua dupla Roberto Carlos/Erasmo Carlos. O tom íntimo da interpretação, a bela simplicidade da melodia, a melancólica amargura da letra, fazem um conjunto ímpar.
Há um outro tema que merece destaque, é o último: Amada Amante - uma proclamação amorosa, em toada reiterativa, com uma sonoridade própria daquela época (com protagonismo no órgão Hammond), que me recorda a rádio e os bailes populares daqueles tempos...
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Noites tropicais (4)

Walter Wanderley - Rain Forest (1966)
A colecção Verve by Request tem reeditado luxuosamente em CD (reproduzindo, em encarte, o grafismo original) os LP's produzidos por Creed Taylor nos anos 60. Este foi o responsável pelo salto qualitativo da Bossa Nova ao produzir as extraordinárias experiências de fusão com João Gilberto, Astrud Gilberto e Stan Getz. A ele se deve também a produção de Walter Wanderley . Este, pernambucano de origem, era um organista e pianista de night clubs de São Paulo e foi dos primeiros a entrar na onda da Bossa Nova, mediante a sonoridade, então moderníssima, do órgão Hammond. Gravou com Astrud Gilberto, mas depois iniciou uma carreira exclusivamente instrumental. Este é o seu primeiro LP dessa fase. O sucesso foi enorme, por causa de Summer Samba, de Marcos Valle, o qual atingiu o Top40. Como as notas deste órgão electrónico soam tão quentes! Wanderley ficou para sempre nos EUA, instalando-se na California, onde viria, aliás, a falecer em meados dos anos 80.
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domingo, setembro 26, 2004

Noites tropicais (3)

João Gilberto - Amoroso (1977)
Alguém disse uma vez (José Nuno Martins no saudoso Os Cantores do Rádio) que este seria o melhor disco de música brasileira de sempre. Sem abandonar o espírito da bossa-nova, João Gilberto fez neste disco um exercício de sofisticação e cosmopolitismo. Sofisticação que decorre da sua forma de cantar (mais sussurrante do que nunca) e dos voluptuosos arranjos orquestrais de Claus Ogerman. Cosmopolitismo, porque o criador da bossa-nova capricha em interpretar três temas não brasileiros: 'S Wonderful, de Gershwin; Estate, de Bruno Martino; Bésame Mucho, de Chelo Velázquez. O curioso é que a inépcia linguística do genial baiano soa aqui como um must adicional - um italiano e um castelhano que soam assim divinamente adocicados! Estate alarga-se por 6 minutos e meio, tornando-se aqui uma espécie de afrodisíaco para espíritos refinados. Com o famoso bolero a receita intensifica-se. A cadência lentíssima e aveludada alarga-o por quase 9 minutos e é um êxtase! Mas se parece impossível superar o transe destas experiências, há que esperar até à último tema, Retrato em Branco e Negro (Zingaro), de Tom Jobim. Está para além da perfeição!
Esta obra-prima foi gravada em finais 1976 e início de 1977, entre Nova Iorque e Los Angeles e parece ser o culminar de uma década e meia em que o gosto norte-americano se rendeu à bossa-nova.
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Noites tropicais (2)

Noites Tropicais (2000)
Noites Tropicais tem um correspondente em CD. É a melhor antologia da MPB que conheço - são muitos os grandes temas incluídos, os quais cobrem extensivamente todas as fases e tendências. Além do mais, a apresentação é soberba e está graficamente ajustada ao livro. O objectivo de funcionarem em complemento mútuo foi perfeitamente atingido.
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Noites tropicais (1)

Nelson Motta - Noites Tropicais (2000)
Nelson Motta é um jornalista e escritor brasileiro que participava num programa de tertúlia da GNT, Mannattham Connection, produzido em Nova York. Com mais outros dois compatriotas abordavam temas variados, tendo como referência o facto de estarem num local privilegiado para observar o mundo. Poucos programas pude ver, mas deu para perceber o seu interesse. Algumas crónicas subordinadas ao mesmo título do programa foram também publicadas no Diário de Notícias.
Nelso Motta é muito conhecido no Brasil, pois tem uma longa trajectória no mundo artístico, nomeadamente como produtor musical. Este livro de crónicas e memórias reporta uma experiência ímpar nas origens e desenvolvimento da Música Popular Brasileira (MPB), desde a Bossa Nova até ao rock autóctone, passando por todas as tendências e movimentos. Privou intimamente com alguns dos maiores vultos (foi, por exemplo, amante de Elis Regina) e dá-nos informações que abragem aspectos da suas vidas íntimas, sem cair na futilidade.
Este livro inspira, assim, esta rubrica cujo roteiro passa por várias tendências da MPB, desde a cosmopolita Bossa Nova às mais regionais, como o Forró e Sertaneja, passando por grandes nomes, como Roberto Carlos, Elis Regina, Caetano Veloso. Contudo, apesar da música estar em destaque, não se confinará a ela...
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