domingo, dezembro 28, 2008

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Soy un perro callejero.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Tiro ao alvo (22)

A guerra dos professores (II)
É espantoso o consenso entre os professores. Por muitas razões - umas boas, outras más - velhos ou novos, do quadro ou contratados, estão quase todos em pé de guerra. Isto só diz da ainda mais espantosa incapacidade do Ministério em fazer aliados entre os professores. Mandava a prudência que se procurasse aliados - seria inteligente. Nem seria, sequer, difícil. É claro que tal pressupunha alguma capacidade de diálogo e flexibilidade, mas, optou-se sempre pelo extremismo. Na hora da verdade, o Ministério só contará com os conselhos executivos. Entretanto fomentou uma guerra absurda. Basta reflectir sobre isto: que política educativa se pode sustentar em professores menorizados e desautorizados? Dizem que este sistema de avaliação os credibilizará. Como pode ser isso feito por um faz-de-conta burocrático destinado a medrar no pântano da promiscuidade inter pares e inspirado em escolástica tecnocrática?
O que é mais provável que suceda? Que os professores sejam chamados a introduzir numa aplicação informática os seus objectivos individuais até uma data-limite. Quem não o fizer será avisado que ficará fora da lei. Cada um, evidentemente, sentir-se-á tentado a fazê-lo na privacidade, ruminando muitas possibilidades desagradáveis para si, se não obedecer. Algumas delas estarão sempre garantidas: aqueles poucos que seguramente obedecerão, passarão à frente, com implicações directas na graduação. Na melhor das hipóteses, o Ministério anunciará que este ano não haverá consequências para os desobedientes; insistirá na tecla da simplificação. Mas, na hora H cada um ficará com uma decisão estritamente pessoal nas mãos. E o processo formalmente avançará sempre, nem que seja com 1% de avaliados (mas serão sempre, em qualquer circunstância, bem mais...).

Tiro ao alvo (21)

A guerra dos professores (I)
Parece que a equipa ministerial está entregue a uma cruzada redentora para salvar o ensino. Desgraçadamente, tudo indica que se tomam a sério num empenho transcendente, missionário... Pertencem, portanto, a uma perigosa espécie: os redentores! Podiam ser apenas uns cínicos tecnocratas, conjunturalmente enquadrados nos interesses de um aparelho partidário. Mas, se assim fosse, haveria nexos de racionalidade que poderiam ser aproveitados para reparar estragos a tempo. Ora, tal não se vislumbra. É certo que, na senda de Robespierre, gente desta acaba no cadafalso ou, pelo menos, justamente difamada para a posteridade; mas, no interim do seu efémero poder, causam estragos. Não tanto por chatearem os profs até ao tutano - verdade se diga que uma parte deles merece ser chateada e é ver muito da hiperbólica prosa de queixas para o comprovar. Mas, os estragos mais devastadores derivam do facto de que o seu triunfo pode significar o triunfo...
- do pior que há nessa coisa chamada "ciências da educação", que de ciência tem pouco e se traduz, as mais das vezes, por uma tecnocracia construída a partir de abstracções vendidas em mestrados de moda;
- de uma concepção da escola rousseauniana - uma sopa onde se dilui qualquer vestígio de autoridade, respeito e responsabilidade.
A verdade é que a desordem das nossas escolas, ainda assim, assegurava bolsas, onde se podia ensinar e havia quem o fizesse com tranquilidade. Mas, o que agora se vive prenuncia a redução da escola a armazém pop de tempos livres, segundo a vulgata politicamente correcta. Alguns pais ociosos e pretensiosos terão aí livre entrada para lançar foguetório de disparate e distribuir alguma bordoada por profs. Estes, aliás, tenderão a rastejar como técnicos tendencialmente ATL, ou seja, como divulgadores de itens de virtudes de cidadania e animadores de sala e de pátio. A intriga será larvar, enfeitada aqui e ali por cenas canalhas. Triturados os seus neurónios por grelhas e desdobramentos de objectivos até à paranóia, serão premiados aqueles mais habilidosos em construir "aldeias Potenkine" no universo vivaz do portfolio e, por que não, serão também premiados alguns ascetas prontos para sacerdócios masoquistas. Imperará o optimismo e voluntarismo de fachada, assentes nas estatísticas do supérfluo. Dias não distantes chegarão em que se proclamarão todos os sucessos educativos possíveis, em cerimónias ilustradas por powerpoints transbordantes de gráficos comparativos...
Entrementes, a transição actual serve fins políticos de assessores que intuem, não sem pertinência, que a inveja - atributo fatal de um povo que tem nos seus genes a herança de famintos camponeses - compensará eleitoralmente a sova sobre os profs. Estes vivem agora um pesadelo, que uma situação longamente acomodada pelo zelo sindicalista e incompetência governativa (com destaque para os governos do PS!) não deixava entrever. Apopléticos, e-mailizam-se convulsivamente, uivam moções sobre moções e desfilam em hipermanifs desesperadas.
Talvez fosse útil reflectir e elevar a contestação ao nível onde se situa o processo mais global do desastre educativo. A própria eficácia da luta teria a ganhar com isso. Com efeito, é imperioso elevar o nível dos agravos e ser inteligente, se se quiser ter a mínima hipótese de não perder em toda a linha. Desde logo, reconheçamos que o que existia antes era uma treta e que é necessário que exista, mesmo, um mecanismo de efectivo reconhecimento do mérito, mas sem que pareça conversa fiada. Denunciemos os efectivos defeitos deste sistema, sem exageros teatrais. Centremos mais as preocupações na qualidade de ensino, sem que pareça ser slogan. Apresentem-se propostas alternativas, mas sérias! Ao mesmo tempo, ponham-se de lado ilusões sobre uma luta que só os ingénuos podem imaginar que se ganhe à força de moção... Imaginação é preciso! E, sobretudo, organização!


quinta-feira, novembro 13, 2008

Cuore matto (22)

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Mina - Oggi ti amo di più (1988)
Um bom minófilo tende a torcer o nariz a qualquer antologia de Mina. Haverá sempre motivos de escândalo por se deixar de fora um punhado de temas da sua predilecção. Em todo o caso, haverá uma meia-dúzia que suscitam unanimidade e é certo que estão presentes em todas as antologias globais, de qualidade. Esta antologia é uma delas e, provavelmente, será, entre as mais concisas, a que gerará maior consenso. Tem, além disso, duas outras grandes vantagens: a inclusão de Ancora, ancora, ancora e a capa. Na verdade, essa belíssima canção saiu em single e nunca num álbum de originais. Deveria pertencer à tal meia-dúzia de canções de referência que geram unanimidade, mas, de facto, não é assim. Quanto à capa, está reproduzida neste post e creio que dispensa explicações sobre a sua valia.
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Mina - Ancora, ancora, ancora (1978) in Oggi ti amo di più (1988)

domingo, novembro 09, 2008

American dream (9)

Boletim de voto americano
Um boletim de voto norte-americano é, só por si, elucidativo do que é verdadeiramente uma democracia. Este exemplo diz respeito a um condado do estado de Montana, que não foram só presidenciais, como se pode constatar. Para além da escolha presidencial, escolheram-se ainda vários cargos e questionou-se de modo referendário, por exemplo, o destino de um alto cargo do supremo tribunal estadual. Isto, note-se, é apenas a 1ª de 4 páginas. De salientar que prevalece o nome dos candidatos sobre os dos partidos, que constituem apenas uma referência secundária.
Pela minha parte estou longe de ter uma devoção radical pela democracia - penso, aquilo que tantas e tantas vezes é citado como um certo desabafo de Churchill, que é o menos mau dos regimes; penso ainda que só pode haver democracia na sequência de um natural desenvolvimento das sociedades dentro de determinados enquadramentos culturais e que, portanto, resulta absurdo e, eventualmente, desastroso, decretá-la ou impô-la em certos países (a maioria).
Dito isto, se se pretende saber o que é uma democracia a sério, pois olhe-se para os Estados Unidos. Entre outras coisas, aí temos a demonstração que a democracia implica nenecessariamente não só um certo grau de literacia como um empenho voluntário e preparado para tomar opções inerentes ao acto de votar; implica também um vínculo de responsabilização pessoal directa em relação ao eleito.

terça-feira, julho 29, 2008

Extravagâncias (3)

Monty Python - Spam in Monty Python's flying circus - 25º Episódio, sketch final (1970)
O ponto mais alto do humor foi alcançado pelos Monty Python na série Monty Python's flying circus, que por cá recebeu a nome de Os malucos do circo. A RTP passou-a nas emissões da hora de almoço, no início dos anos 70. Representa o ponto mais alto do humor e, em particular, do humor absurdo, tipicamente non sense, do qual os ingleses, melhor do que ninguém, conhecem os ingredientes. Muitos foram os sketches brilhantes, que podem agora ser apreciados em edições em DVD que, finalmente, chegaram ao nosso mercado. Este é um dos mais notáveis e tem uma história que merece ser contada. Spam era, e é, o nome de uma marca americana de carne de porco enlatada (tipo presunto). Durante a II Guerra Mundial era a a única carne não sujeita a racionamento. Daí resultou que a sua ruim qualidade se tornasse mais abominável pelas escassas alternativas. Gerações de britânicos, mesmo dos que da guerra já não tinham memória directa, guardaram Spam como sinónimo de algo enjoativo, indesejável. Foi com este lastro de quase trauma colectivo, que a trupe se lembrou da coisa no anárquico e improvisado processo produção de script para um sketch. O bando de vikings cantando as excelsas virtudes do Spam e a descrição da presença obsessiva do mesmo no menu é das coisas mais delirantes que já se viu... Contudo, a história não acaba aqui. Sucede que muito anos depois alguém se lembrou do Spam, por via deste sketch, como termo apropriado para designar a invasão de correio electrónico não solicitado. Ora, como se sabe, o termo pegou.
PS: No sketch a obsessão Spam contamina a própria ficha técnica que encerra o episódio. É demais...
Monty Python Spam Song

sexta-feira, junho 06, 2008

Geografia íntima (24)

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Futebol Clube do Porto

sábado, maio 03, 2008

Geografia íntima (23)

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Porto - Ribeira

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Porto - Vista geral desde Vila Nova de Gaia

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Porto - Rio Douro

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Porto - Rua das Aldas (Sé)

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Porto - Rua da Pena Ventosa (Sé)

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Porto - Rua dos Pelames (Sé)

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Porto - Rua dos Caldeireiros (Vitória)

Porto - Fotos de José Paulo Andrade in Ruas do Porto
Parabéns ao autor destas fotos do Porto (José Paulo Andrade)! São apenas uma amostra do vasto conjunto disponível no sítio com hiperligação em cima. Vale a pena apreciar.
Este é o meu Porto. O Porto histórico do velho burgo.

Geografia íntima (23) (17 remake)

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GNR - Rock in Rio Douro (1992)
Este álbum dos GNR tem dois temas especiais: Sangue Oculto e Pronúncia do Norte. Neles, a voz semi-falsete de Rui Reininho contracena, respectivamente, com Javier Andreu (vocalista do grupo espanhol La Frontera) e com a essa vibrante mulher do Norte que é Isabel Silvestre. De resto, todos os outros temas são vulgares, revelando que cá, como em todo o lado, as fórmulas do pop/rock se foram esgotando a partir de finais dos 80... Mas esses dois temas são, de facto, especiais. O primeiro tem força genuína, sendo, além disso, um original diálogo em castelhano e português. O segundo, descontados muitos exemplos vindos da Galiza, é o "hino" mais apropriado que conheço para aquele mundo de brumas e granito que é o Norte. Em dueto com Reininho, a voz de Isabel Silvestre parece esvair-se num fio etéreo, mas há uma superior expressão emotiva nesse fio que impregna toda a canção, dominando-a. Além de que o tema assenta no enunciado da pronúncia do Norte como expressão de carácter - essa pronúncia que se recusa a emudecer as vogais e que transporta a expressão em sonoridade. O português que vem do mais fundo dos tempos...
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GNR / Isabel Silvestre -
Pronúncia do Norte in Rock in Rio Douro (1992)

sábado, abril 26, 2008

Cuore matto (21)

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Antonello Venditti - Diamanti (2007)
Antonello Venditti é um cantautor já veterano da cena musical italiana. Com efeito, tem uma carreira com já mais de trinta anos e assinalada por um punhado de êxitos. O seu registo é um pop mais próximo do rock do que do cançonetismo. Nada na sua música é especialmente relevante, a não ser que alguns dos seus êxitos têm uma qualidade acima do padrão do género e que a sua voz apresenta um timbre deveras original. Muitas das letras, mediante um certo azedume céptico, contribuem para uma imagem de herói rebelde ou, pelo menos, incompreendido. Ao mesmo tempo, tem o cuidado em não não cultivar uma imagem comercial, nem, tampouco, em sustentar forçadamente receitas musicais para o público mais jovem - em contraste, por exemplo, com o que sucede com o seu conterrâneo Eros Ramazzotti. Nem por isso, Venditti deixou de alcançar níveis de popularidade interna talvez superiores, mas, em contrapartida, não pôde, jamais transcender as fronteiras transalpinas... Provavelmente, nunca apostou decidamente nessa expansão e sente-se realizado com a grande popularidade que alcançou na sua cidade, Roma. Na verdade, nas suas músicas, há constantes referências à cidade e, por outro lado, sempre fez gala da sua devoção fuebolística pela AS Roma, a ponto de ser o intérprete do hino oficial do clube.
Para conhecer Antonello Venditti esta antologia é a forma mais indicada. Na ausência da possibilidade de a adquirir por cá, a alternativa é a compra via Internet ou, então, anotar como encargo para futura visita a Itália. É uma súmula num único CD de uma antologia mais ampla, de três CDs, com o mesmo título e a mesma capa. Nesta, porém, cabem todos os seus grandes êxitos.
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Web: Antonellovenditti.com



Antonello Venditti -
Ci vorrebbe un amico (1984)

terça-feira, abril 22, 2008

Viagens (19): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (9)

6º Dia (5ª Feira)

Nesta viagem, o hotel de Milão foi o melhor de todos e, curiosamente, também o mais barato. Estava localizado na zona ocidental, próximo do recinto de exposições, sendo esta proximidade apresentada na sua página web como a sua maior vantagem. Porém, a localização afastada do centro implicava a utilização de transportes públicos. O metro era o mais prático, só que estava um pouco distante. A alternativa era o eléctrico. Com efeito, Milão tem linhas de eléctrico com composições de cor alaranjada, compridas e estreitas. Logo de manhã o objectivo era ir à Igreja de Santa Maria delle Grazie, a fim de garantir a entrada para o Cenáculo, onde está a Última Ceia de Da Vinci. Não queria correr o mesmo risco que em Florença. Sucede que a igreja ficava perto e para lá chegar bastaram alguns minutos a pé, por agradáveis zonas residenciais, onde se respirava conforto e bom-gosto burguês. Quando cheguei à igreja, comprovei que, definitivamente, a avalanche turística não chegara ali; havia bastante gente mas nada que se comparasse com o que se vira nos dias anteriores. Mesmo assim foi necessário fazer uma marcação para as duas da tarde. Assim, o objectivo imediato tornou-se, entretanto, o centro, via eléctrico. Quando ao entrar fazia menção de pagar os bilhetes, o condutor fez um simpático sorriso, abanando a cabeça – não vendia bilhetes; ao mesmo tempo, fechou as portas e senti-me, assim, convidado a viajar à borla. Ocorreu-me que seria de aproveitar para visitar o Museu do Teatro alla Scala. Milão é a capital do mundo operístico. Nova Iorque (Metropolitan), Londres (Covent Garden), Paris (L’Opera) e Barcelona (Liceo) são os pontos fulcrais do circuito operístico, mas La Scala é o mais importante. O museu está no edifício do teatro e não só acolhe um amplo espólio de adereços de artistas e compositores como proporciona uma panorâmica da sala de espectáculos a partir de alguns camarotes. Causa impacto estar naquela sala tão famosa, que, tanto quanto sei, é parecida com a do São Carlos. Perto de La Scala está o “quarteirão da moda” (Il Quadrilatero). Do que se seguiu, só vi coisa comparável na parte superior da Quinta Avenida de Nova Iorque. A Via Monte Napoleane, a mais importante das que compõem o quarteirão, é toda ela glamour. Montra após montra deparamo-nos com sofisticação. Zara e outros simpáticos contributos para melhorar a indumentária popular não tem ainda guarida aqui. É coutada de Versace, Ferragamo, Giorgio Armani, Gucci e afins... Aqui estão as suas sedes. São lojas amplas e espaventosamente decoradas. Os preços são inverosímeis. Encarar um par de sapatos que ostentasse menos de 250.000 liras (25.000 escudos) foi impossível. A média não deveria andar longe das 500.000. Mas havia abundância de preços delirantes, que eram mais do que inacessíveis... Apesar da minha quase indigência em matéria de roupa, não desdenho sempre quem se veste bem – é uma algo que não é demasiado importante para mim, mas não encaro como inconveniente em certas pessoas... O certo é que gostei do que vi. Bem antes das duas horas estava de novo junto a Santa Maria delle Grazie. O regresso fora de eléctrico e... (outra vez) à borla - sempre era mais agradável que de metro e... pagando. Era um modesto contributo para dar razão ao qualificativo portoghese que em Itália, desde uma embaixada quinhentista de D. Manuel I a Roma, significa borlista ou "penetra".
São impressionantes os cuidados que rodeiam a visita ao Cenáculo. Para ver um dos mais famosos frescos da humanidade os visitantes são filtrados de modo a que lá dentro o número de presenças seja sempre reduzido. A Última Ceia apreciada no seu verdadeiro contexto parece estranha. À força de tanto vê-la reproduzida, resulta insólito verificar que ocupa toda a parte superior do espaço de uma parede, que nem sequer é muito ampla e que colide com a ombreira de uma porta, a qual lhe rouba espaço vital.. As cores são tão suaves que se tornam esbatidas, mas a sensação de profundidade é notória, sobretudo quando nos afastamos. No exterior havia todo o tipo de informações, incluindo as referentes aos trabalhos de restauro, por conta da Olivetti. É um pequeno espaço museológico exemplar que sabe enquadrar da melhor maneira o que apresenta.
O resto da tarde foi passado no quarto do hotel - formidável refúgio do calor que não dava tréguas. À noite voltei ao mesmo restaurante da véspera e cirandei pelas lojas da
Galleria Vittorio, em particular pela labiríntica livraria Feltrinelli...

sexta-feira, abril 18, 2008

Cuore matto (20)

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Mina - Catene (1984)
Numa carreira tão longa e eclética como a de Mina é inevitável que se destaquem períodos de maior e menor fulgor. Alguns álbuns dos anos 80 encontram-se, definitivamente, entre o que de menos interessante se apresenta na sua carreira. Catene é um duplo álbum, cujo 1º volume (em certas edições os dois volumes chegaram a ser vendidos como unidades independentes) é um pouco desafortunado. É certo que alguém disse, e é possível que fosse a propósito de Mina, que, com certas vozes de eleição, até ouvir cantar a lista telefónica pode ser emocionante... Contudo, a manifesta displicência na escolha de repertório, que é em alguns outros álbuns como que um divertido desplante, assume aqui proporções um pouco caricatas, pela futilidade dos diversos estilos contemplados e porque, às vezes, os arranjos não ajudam. É esse o caso da abominável versão de Strangers in the night... Contudo, não deixam de existir momentos bem compensadores. Assim, encontramos, como que perdido no 1º volume, uma agradável versão evanescente de Estate e, no 2º volume, um naipe de interessantes originais, onde sobressai Rose su rose. Em todo o caso, sublinhe-se que a sua voz apresenta-se aqui com elevado poder, confirmando que nos anos 80 esta, talvez, tivesse atingido o climax, pelo menos no que diz respeito à sua cambiante de timbre mais agreste.
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Mina - Rose su rose in Catene (1984)

terça-feira, março 25, 2008

Cuore matto (19)

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Mina - Si, Buana (1986)
Este duplo CD é a reedição dos LPs Si, Buana Vol 1 e Si, Buana Vol 2, originalmente editados em 1986. Foi uma das apostas mais comerciais de Mina, atacando com um punhado de temas consagrados da canção italiana ou da pop internacional. Estava então a sua carreira discográfica numa fase de indefinição, não tendo esta opção mais ligeira, que vinha dominando desde início dos anos 80, continuidade a partir daqui. Ou seja, este álbum pode ser considerado o culminar da Mina pop... O resultado foi bastante bom, quanto mais não fosse porque as potencialidades vocais da diva estariam, porventura, no seu auge - este não é, evidentemente, pormenor de somenos... O valor médio das canções é mais do que aceitável, tendo em conta uma magnífica meia-dúzia, nomeadamente a versão italiana de Zingaro (Retrato em branco e prêto) de Tom Jobim. De notar, porém, que o repertório é um pouco desconexo entre géneros tão variados e que os arranjos descambam, aqui e ali, da excelência, através, por exemplo, da intervenção de alguns coros em tonalidade desajustada. Em todo o caso, sublinhe-se, Si, Buana é um momento importante - um dos mais altos de Mina nos anos 80.
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Mina - L'altra metà di me in Si, Buana (1986)

domingo, março 09, 2008

Tiro ao alvo (19)

Em Tiro ao alvo (10), na sequência de apreciações muito mais positivas do que negativas acerca da política da educação, rematei da seguinte forma: "Em todo o caso, o ministério navega no rumo certo. Que a nave não naufrague entre as violentas tempestades que se avizinham!". Pois devo agora dizer que o rumo não se tornou incerto, mas, entretanto, tornou-se claro que o porto de chegada não é o melhor... E, dada a obstinação do timoneiro, começo a desejar o... naufrágio.
O modelo de gestão parece positivo. É desejável que a gestão das escolas deixe de estar cativa dos interesses corporativos dos professores. Contudo, noutras áreas sensíveis e decisivas as opções têm sido más. É assim com o modelo de avaliação de desempenho e, de um modo geral, com parte da avassaladora produção legislativa (alguém aplicou-lhe a designação de diarreia legislativa) em que destaco o modo como foi criado o corpo de professores titulares e, mais recentemente, o estatuto do aluno. São regulamentações complexas, por vezes contraditórias e ambíguas, lavrando injustiças a eito e criando problemas desnecessários. Descontadas as compreensíveis necessidades de aliviar encargos salariais, se algo parece claro, é, efectivamente, a pretensão de fazer grandes mudanças em pouco tempo. É indispensável introduzir grandes mudanças no nosso sistema de ensino. Porém, não é atinado querer mudar em tantos domínios, ao mesmo tempo, de modo tão radical e, o que é pior, em certos domínios cruciais, no sentido errado. Sucede que esta equipa não quer, simplesmente, pôr as coisas melhores, como fez com medidas tomadas no início e que, por exemplo, reduziram drasticamente os furos e o absentismo. Deveria prosseguir mais moderadamente, salvaguardando o que de bom tem feito, garantindo mais segurança e eficácia no que falta fazer e corrigindo erros. Mas parece que não quer ouvir nada nem ninguém. Assim, conclui-se, insisto, que não quer, simplesmente, pôr as coisas melhores. Quer ir, muito mais longe. Quer criar um mundo novo. Diria que parece estar acometida de um espírito messiânico, de tipo jacobino ou bolchevique... É inquietante, pois os redentores são perigosos, ainda mais num território tão sensível como o da educação. Apesar dos propósitos da senhora ministra, apesar do muito de positivo que já foi feito, parece que na equipa ministerial impera um espírito de cruzada, provavelmente inspirado em alguns credos mais ortodoxos das ciências da educação. Justifica-se esta inquietação, pois muito do que se vai revelando é próprio das teorias obcecadas por objectivos e competências, que têm ajudado a levar a educação ocidental ao descrédito. Já agora, diga-se que, curiosamente, este é o mesmo continente ideológico da velha esquerda que formou o nosso sindicalismo... A base são concepções rousseaunianas, onde a escola é vista como um lugar mais de prazer do que de esforço e relativiza-se a disciplina.
No que diz respeito à avaliação de desempenho, é um modelo orientado para uma realidade de papel traduzível em estatísticas. Objectivamente, é uma forma de obter indicadores a partir de estereótipos beahaviouristas, que são extrapolados e magnificados. Contudo, num ambiente inopinadamente competitivo, será também um infernozinho burocrático, assente em facilitismo para os alunos e só gratificante para os professores mais jeitosos em compôr a sua "aldeia Potemkine". Para aprimorar a coisa, em muitas escolas, a avaliação inter pares adiciona desconfianças, promiscuidades e invejas próprias de relações pessoais que há muito descambaram do plano profissional. Ou seja, burocracia e intriga. É certo que alguma melhoria resultará na prática lectiva, mas o processo será demasiado desgastante. Ou seja, a relação custos/benefícios será má. E, afinal, a alternativa seria simples: deixar no futuro director todas as competências avaliadoras, que seriam expeditamente tramitadas ao fim de três anos. Sem burocracias e esforços inúteis! Haveria ainda outras alternativas, como preparar um corpo especializado de inspectores. Mas escolheu-se um modelo burocrático, fomentador de intriga, amigo de zelotas das grelhas, de jardineiros de portfolios e encenadores habilidosos.
Nestas circunstâncias passo para o outro lado, onde agora, ironicamente, surgem propostas alternativas válidas, geradoras de menos injustiças e onde, até, os sindicatos já fazem um implícito reconhecimento de que o que existia antes era insustentável.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Memória do futebol (9)

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Keir Radnedge - 50 años de la Copa de Europa y la Liga de Campeones [50 years of the European Cup and Champions League], 2006
A mais importante e prestigiada competição mundial de clubes merecia um livro assim. Trata-se, evidentemente, da Taça dos Campeões Europeus e da vigente herdeira Liga dos Campeões. Celebra os cinquenta anos da competição. O autor é inglês, o que não admira. A maior parte da bibliografia sobre a história e a sociologia do futebol é de origem inglesa. Comprei a versão espanhola. Tanto quanto sei, não há versão portuguesa. O texto corre ao longo da história com uma sóbria objectividade, que não impede que se saliente com o merecido tom épico muitos momentos marcantes. Por exemplo, a final de Glasgow, em que o mítico Real Madrid de Di Stefano venceu os destemidos amadores alemães do Eintracht de Frankfurt por 7-3. Ou aquela em que o mesmo Real Madrid de Di Stefano, já decadente, foi batido pelo Benfica de Eusébio por 5-3, em Amesterdão. E, já agora, indo ao encontro das minhas paixões clubísticas, aquela outra, muito mais tarde, em Viena, em que os arrogantes alemães do Bayern foram derreados pelo arreganho de João Pinto, pelas fintas de Futre e pelo... calcanhar de Madjer! Tantas e tantas emoções! Como se não bastasse a magnífica crónica, existe abundante ilustração fotográfica e iconográfica e depoimentos de algumas figuras marcantes: Di Stefano, Eusébio, Bobby Charlton, Beckenbauer...
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quarta-feira, janeiro 23, 2008

Dancing days (21)

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ABBA - Voulez-Vous (1979)

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ABBA - Does your mother know in Voulez-Vous (1979)

terça-feira, janeiro 22, 2008

Dancing days (20)

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ABBA - Waterloo (1974)
Em 1974 os ABBA deram-se a conhecer ao mundo, ganhando o Festival Eurovisão da Canção, com Waterloo. Instalaram-se no palco global por quase uma década, coleccionando êxitos atrás de êxitos. A sua universalidade fez-se de um pop dançável, musiquinhas simples e uma imagem juvenil que sugeria o hedonismo próprio desses tempos despreocupados que foram os anos 70. Mais escape que despreocupação, deve-se sublinhar, já que de instabilidade económica e política foram feitos esses anos... Seja como for, para todos os efeitos, os ABBA estavam no mainstream. Foram , como já alguém disse, o mais universal produto da Suécia (Hoje em dia, Ikea talvez se apresente como digno sucessor a esse nível). Instalaram-se em Londres e, evidentemente, cantavam em inglês. Contudo, nos seus primórdios, antes de almejar a universalidade, também chegaram a cantar na língua nativa. Mesmo quando se apresentaram na Eurovisão, apesar de terem cantado em inglês no palco, gravaram uma versão em sueco, como também fizeram em alemão e francês. Mais tarde tornar-se-ia uma rotina ver o grupo editar versões dos seus êxitos em espanhol. Tão aparatosa manifestação de versatilidade linguística pode indiciar capacidade de saber tirar partido de um certo complexo de inferioridade. Julgo que Vinicius de Moraes, ou algum outro brasileiro espirituoso, sentenciou um dia que, a haver uma língua oficial do inferno, seria o sueco. Tal boutade pode encontrar sustentação na aparente facilidade com que grupos pop suecos têm passado ao lado da sua língua (além dos ABBA, por exemplo, os Ace of Base...). Em boa verdade, não nos é fácil conceber virtualidades canoras no sueco ou a qualquer outro idioma nórdico. Mas aqui fica uma experiência iniciática, com, nem mais nem menos, Waterloo. Certo é que esta versão não transcendeu o terrunho escandinavo. O single que chegou a milhões de pessoas por todo mundo, era, claro está, a versão inglesa e o próprio álbum abria com essa mesma versão e era composto integralmente por temas cantados nessa língua. Em seu louvor do álbum, deve-se dizer que, ao contrário do que seria de esperar, e apesar de não sair de um nível de pop do mais frívolo, aguenta-se bastante bem para lá do consagrado hino festivaleiro. Já agora, recorde-se que Waterloo foi para o Festival da Eurovisão uma oportuna revolução e que, alguns dias depois, houve uma revolução a sério em Portugal, o 25 de Abril.
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ABBA - Waterloo (Swedish version) (1974)

terça-feira, janeiro 01, 2008

Dancing days (19)

ABBA - Dancing queen in Arrival (1976)
Transcrevo o que escrevi no post Dancing days (2): "Reviver a música pop comercial dos anos 60, 70 e 80 é, cada vez mais, fonte de reencontrados prazeres. Neste intermitente reencontro, no topo das minhas preferências estão os ABBA (Agneta Fältskog, Björn Ulvæus, Benny Andersson e Anni-Frid Lyngstad). Agneta é a loira - a que se tornou um mito entre a homenzarrada planetária; Anni-Frid é a morena - que não deixou de ter a sua incondicional clientela libidinosa... Era uma música simples, desprestenciosa, alegre e, dentro destes parâmetros, muito bem feita. Tenho para mim, por exemplo, que Dancing queen é uma das mais bonitas canções de sempre."