Este álbum é a continuidade do aclamado Hot Buttered Soul. É o desenvolvimento lógico do que a crítica acolheu como um novo estilo soul. Todos os grandes lemas isaachayesianos estão aqui presentes. Com a mesma receita anterior, mas administrada com um fôlego ainda mais megalómano, reforça-se a identificação do estilo e cria-se um sabor definitivamente reconhecível e especial, em torno do qual se cria um certo culto. Uma vez mais, Isaac Hayes pega em composições alheias, geralmente standards já consagrados, e recria-os de modo radical. Um exemplo perfeito é The Look of Love, de Bacharach & David. O que se ouve aqui é uma refinadíssima orquestração, que proporciona um longo solo de guitarra eléctrica em registo ultra-soft e uma poderosa secção de metais como elemento ambiental aveludado. A voz quente e sugestiva acentua o efeito. A sensualidade domina toda a peça, a qual, coerentemente, culmina de uma forma muito sugestiva e original. Todo o álbum, com excepção do último tema, não tem desperdício. É um catálogo completo de Isaac Hayes na plenitude. Significativamente, os monólogos rap (este é o primitivo, o genuíno rap) começam aqui a ser numerados. Temos assim o Ike's Rap I, muito embora, o primeiro, mesmo, fosse a primeira metade dos 20 minutos do By The Time I Get to Phoenix, do álbum anterior. Temos também uma sequência instrumental designada como Ike's Mood I, só que ao contrário dos sublimes monólogos, estes não tiveram posterior continuidade.
Pegue-se num very long drink, ponham-se as luzes em recatada discrição, espraie-se o corpo em confortável poltrona, abandone-se o espírito a lucubrações prazenteiras e saboreie-se ...To Be Continued.
domingo, julho 23, 2006
Soulsville (7)
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quinta-feira, julho 20, 2006
Outro Brasil (1)
Erico Veríssimo - O Tempo e o Vento (1949)Creio que em finais dos anos 80 vi a série da TV Globo feita sobre este romance. Gostei tanto que procurei rapidamente o romance e li-o. É a mais conhecida obra de Erico Veríssimo - uma história que se desenrola ao longo de gerações, desde finais do século XVIII a meados do século XX. A matéria é a construção da sociedade gaúcha, no interior montanhoso do estado mais meridional do Brasil, Rio Grande do Sul. Este é um Brasil menos conhecido - tem pouca relação com o Brasil do Rio de Janeiro e menos ainda com o do Nordeste. O Brasil tropical e colonial é uma realidade distante desta zona de fronteira. Não por acaso foi por aqui que se desenvolveu a mais séria tentativa separatista - a Guerra do Farroupilha, na qual participou com destaque Garibaldi, herói do Rissorgimento da Itália. É uma terra com afinidades com o Uruguai e Argentina, mas com algumas especificidades importantes. Juntamente com o vizinho estado de Santa Catarina e com o Paraná são os estados mais europeus do Brasil. A componente imigratória veio em grande número da Itália e Alemanha. Se excepturamos as zonas litorais (Canoas, por exemplo), a componenente imigratória portuguesa é relativamente menor do que no restante Brasil e maioritariamente composta por açorianos.
O romance dá-nos bem a ideia do que é a cultura gaúcha. É uma terra violenta, em que tudo se construiu com base na luta individual contra circunstâncias adversas, nomeadamente as guerras fronteiriças entre o poder colonial espanhol e o poder colonial português. O gado foi o pilar da construção dessa sociedade. Em muitos sentidos faz lembrar o Far West. À rudeza característica dessa forma de vida acresce uma bizarra mestiçagem de culturas diversas. Este romance é, assim, a melhor forma para se conhecer esse outro Brasil, que, geralmente só chega até nós por via dos popularizados restaurantes de rodízio. Já agora, chimarrão é o nome de uma bebida genuinamente gaúcha, talvez o seu ex-libris mais identificador.
O romance dá-nos bem a ideia do que é a cultura gaúcha. É uma terra violenta, em que tudo se construiu com base na luta individual contra circunstâncias adversas, nomeadamente as guerras fronteiriças entre o poder colonial espanhol e o poder colonial português. O gado foi o pilar da construção dessa sociedade. Em muitos sentidos faz lembrar o Far West. À rudeza característica dessa forma de vida acresce uma bizarra mestiçagem de culturas diversas. Este romance é, assim, a melhor forma para se conhecer esse outro Brasil, que, geralmente só chega até nós por via dos popularizados restaurantes de rodízio. Já agora, chimarrão é o nome de uma bebida genuinamente gaúcha, talvez o seu ex-libris mais identificador.
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Erico Veríssimo in Releituras
Erico Veríssimo in Releituras
quarta-feira, julho 19, 2006
Tiro ao Alvo (11)
Israel vs Hezbollah
Acabou o Mundial de Futebol. Parece que os homens do Hezbollah intercalavam as suas orações com um empenhado seguimento das gestas futebolísticas em curso nos relvados alemães. Nem a precoce eliminação da selecção dos seus líderes espirituais, o Irão, fez diminuir demasiado tal empenho. Chega a final, a cabeçada de Zidane, a taça para a squadra azzurra. Acaba o Mundial. Subitamente desapossados destes entretenimentos, resolvem, talvez para matar o tédio, proceder a alguma bravata solidária com os seus amigos do Hamas, os quais, aliás, estiveram sempre menos atentos ao Mundial...
Enfim, o assunto é desgraçadamente mais sério para poder sustentar frivolidades. A verdade é que estes terroristas (não esquecer a sua essência!) praticaram actos de guerra contra um país de dimensões mínimas e acossado desde a sua origem, cuja viabilidade só é possível com a disposição incondicional e imediata para responder a desafios desta natureza. Há quem refira a soberania de um país, o Líbano, a existência de um governo que, aliás, estava agora em processo de se libertar da degradante tutela síria. Mas que raio de país soberano é esse que permite e ampara a existência de um autêntico estado independente dentro do seu seio, cuja essência é, precisamente, constituir-se em ameaça à existência de um estado vizinho? O vigor da resposta israelita é resposta legítima a actos de guerra e é, sobretudo, condição essencial para fazer valer o seu direito à existência através do exercício do elementar da auto-defesa.
Enfim, o assunto é desgraçadamente mais sério para poder sustentar frivolidades. A verdade é que estes terroristas (não esquecer a sua essência!) praticaram actos de guerra contra um país de dimensões mínimas e acossado desde a sua origem, cuja viabilidade só é possível com a disposição incondicional e imediata para responder a desafios desta natureza. Há quem refira a soberania de um país, o Líbano, a existência de um governo que, aliás, estava agora em processo de se libertar da degradante tutela síria. Mas que raio de país soberano é esse que permite e ampara a existência de um autêntico estado independente dentro do seu seio, cuja essência é, precisamente, constituir-se em ameaça à existência de um estado vizinho? O vigor da resposta israelita é resposta legítima a actos de guerra e é, sobretudo, condição essencial para fazer valer o seu direito à existência através do exercício do elementar da auto-defesa.
quinta-feira, julho 06, 2006
Viagens (10)
Alentejo
Prossigo a apreciação dos lugares que conheço em Portugal.1ª coluna: classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar.
Beja
08 Aljustrel (Localidade)06 Amareleja (Localidade)
06 Castro Verde (Localidade)
08 Costa Vicentina (Costa)
08 Mértola (Localidade)
08 Moura (Localidade)
07 Odemira (Localidade)
07 Planície Alentejana (Planície)
06 Santo Aleixo da Restauração (Localidade)
06 Vila Verde de Ficalho (Localidade)
Évora
09 Arraiolos (Localidade)09 Estremoz (Localidade)
10 Évora Cidade Évora
08 Évora-Monte (Localidade)
09 Monsaraz (Localidade)
08 Montemor-o-Novo (Localidade)
08 Mourão (Localidade)
08 Planície Alentejana (Planície)
07 Redondo (Localidade)
05 Vendas Novas Localidade Évora
09 Vila Viçosa (Localidade)
Portalegre
07 Alter do Chão (Localidade)08 Arronches (Localidade)
07 Campo Maior (Localidade)
04 Cano (Localidade)
04 Casa Branca (Localidade)
10 Castelo de Vide (Localidade)
09 Elvas (Localidade)
09 Marvão (Localidade)
07 Portalegre (Cidade)
05 Sousel (Localidade)
05 Tolosa (Localidade)
Setúbal
07 Lagoa de Santo André (Lagoa / Praia) 07 Porto Covo (Localidade / Praia)
08 Santiago do Cacém (Localidade)
06 Sines (Localidade)
07 Vila Nova de Santo André (Localidade)
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