Como o céu estava limpo e ia junto a uma janela, lá fui identificando uma após outra as localidades avistadas. Mal dei por mim, estávamos em Barajas, que é enorme – uma babilónia quase com as proporções de Charles de Gaulle, mas sem linhas futuristas. Os anúncios pelo sistema sonoro, lembravam-nos que estávamos em Espanha, quer pelo escorreito castelhano (que, aliás, tão pouco se vai ouvindo no dia a dia espanhol), quer por aquela pronúncia inglesa que só os espanhóis têm. Na verdade falam inglês, submetendo-o com tranquilo desplante ao sotaque castelhano...
No avião que nos levaria a Milão, metade da população era espanhola, metade era italiana, o que se constatava através dos que retiravam da bandeja o El País ou o Corriere della Sera. Continuei a ter a sorte de ir à beira da janela e do céu estar limpo. Vi a imensidade das terras áridas de Teruel até aos limites do Maestrat, na confluência com a Catalunha. Depois, avistei Amposta, o delta do Ebro e daí para diante mar. Imaginei que, como a rota seguia paralela à costa, quem estava junto às janelas do outro lado, teria o privilégio de ver Barcelona…
Depois dos Alpes, a Itália chegou aos meus olhos com os campos da Lombardia, que estendiam-se planos e verdejantes, arrumados geometricamente. Múltiplos povoados concentrados surgiam desse verde. O nítido curso do Pó permitiu-me identificar Piacenza. Aterrámos em Malpenza, um dos dois aeroportos que servem Milão. Fica a, nem mais nem menos, 60 km da cidade!
Já tinha planeado o percurso da viagem. Fizera marcações on-line não só para os hotéis como para o aluguer de automóvel. A primeira coisa a fazer era procurar a Hertz.
O moderno aeroporto faz jus aos méritos do design italiano. Os tons verdes e a visível qualidade dos materiais dão o mote a um estilo sóbrio. É nestes aspectos que a sensibilidade italiana sobressai... Há, como o resto da viagem haveria de confirmar, um natural bom gosto nos cenários comuns da vida quotidiana.
No escritório da Hertz tive a precisa noção de que tinha acabado de entrar no domínio da mais bela das línguas. O meu primeiro diálogo, contudo, processou-se através de um inglês elementar. O carro que nos estava destinado era.... um Ford Ka, aquele ínfimo ovinho!












