quarta-feira, janeiro 31, 2007

Outro Brasil (3)

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Toquinho - Acquarello (1983)
Aquarela / Acquarello é a mais conhecida canção de Toquinho. É linda! Foi composta em parceria com Maurizio Fabrizio e Vinicius. Foi originalmente concebida em dupla versão bilingue, como, aliás, o álbum em que se insere. É também provável que haja uma versão em espanhol, já que alcançou grande popularidade em Espanha (há uma recente versão, do grupo Seguridad Social). Exímio tocador de violão, inesquecíquel companheiro de Vinicius, Toquinho caprichou em deixar este testemunho de sensibilidade que será para sempre um exemplo de simplicidade sublime. Que o resto do álbum seja pouco menos que banal, tem pouca importância depois de tal entrada....
Toquinho, de seu nome António Pecci Filho, é um retinto paulista, descendente de italianos. Em finais dos anos 60 teve com Chico Buarque um exílio italiano, que no seu caso foi oportunidade para um reforço das raízes culturais familiares. Desde então tem levado uma carreira dividida entre Itália e Brasil. Com Sergio Bardotti, Ornella Vanoni, Sergio Endrigo e Maurizio Fabrizio consolidou essa vertente italiana.
Em jeito de apoteose para esta jóia, aqui fica também a versão em português, através de um video com uns desenhos animados que se enquadram perfeitamente no espírito de
Aquarela / Acquarello. Melhor, impossível...

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Toquinho e o seu violão

Toquinho - Acquarello in Acquarello (1983)

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Outro Brasil (2)

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Ornella Vanoni, Vinicius, Toquinho - La voglia, la pazzia, l'incoscienza, l'allegria (1976)
Este álbum foi gravado em Milão, em 1976, com produção de Sergio Bardotti. Temos aqui o melhor encontro entre a música italiana e a MPB. Uma benfazeja onda parece ter inspirado o empreendimento, que foi dos mais bem sucedidos de Bardotti como promotor da MPB em Itália.
Como noutras gravações de Toquinho e Vinicius, intui-se um certa descontração, escutando introduções em jeito de bate-papo, declamações e pequenos improvisos soltos com oportunidade. É notório que se sentem bem num ambiente italiano - Toquinho, como tantos paulistas, tem chegados ascendentes italianos e Vinicius, não nos esqueçamos, foi diplomata em Roma. Quanto a Ornella é notório que não está ali como intrusa. É, enfim, um grupo de amigos que se encontrou no estúdio. O poeta, religiosamente acompanhado pelo seu copo de whisky, em esplendorosa beatitude. Toquinho em óptima forma com o seu violão. Ornella, com a sua finura, no apogeu. Que encontro! Todo o disco não tem desperdício, mas se me é permitido destacar um tema, pois que seja o inesperado clássico napolitano Anema e Core (Alma e coração, em napolitano), que durante minuto e meio nos eleva até ao plano da perfeição melódica, mediante a voz sensível de Ornella, apenas acompanhada discretamente pelo violão de Toquinho. Ainda por cima, na sequência em que aparece, este tema é um suavíssimo interlúdio na toada de suave batucada. Ou seja, estabelece um ligeiro contraste, reforçando a harmonia do conjunto. É um flash napolitano, cujo nexo de oportunidade parece ser (como se deduz da introdução) o facto de ser predilecto de Vinicius.
(Vai daqui um abraço para o meu amigo Paolo Driussi que me deu este CD, como muitos outros...)
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Ornella Vanoni / Toquinho - Anema e core in La voglia, la pazzia, l'incoscienza, l'allegria (1976)

terça-feira, janeiro 23, 2007

Napule e'... (5)

Nápoles - início dos anos 50

Napule e'... (4)

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Bruno Venturini - Antologia napoletana: 'Simmo 'e Napule... paisà... (1987)
Eis a canção tradicional napolitana pura e dura, por um dos seus mais convencionais e populares intérpretes: Bruno Venturini. São cinco os volumes que compõem esta colectânea, que percorre todo o mais conhecido repertório napolitano. A consabida estridência tenorística do género tem aqui uma amostra adequada. Como não podia deixar de ser, há uma boa dose de hiperdramatismo na interpretação. Seja como for... é bonito, muito bonito, sobretudo se servido por melodias sublimes e letras comoventes como a célebre Lacreme napulitane presente neste volume, provavelmente a mais bela canção jamais alguma vez inspirada pela nostalgia imigrante...
Bruno Venturini in Artisti.it

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Bruno Venturini - Malafemmena in Antologia Napoletana: 'Simmo 'e Napule... paisà... (1987)

Napule e'... (3)

Malafemmena
É curioso, mas a verdade é que o autor da famosíssima canção napolitana Malafemmena (Má mulher) é... Totò. Efectivamente, essa canção amargurada foi composta por Antonio de Curtis.

Si avisse fatto a n'ato
chello ch'hê fatto a me,
st'ommo t'avesse acciso...
e vuó sapé pecché?
Pecché 'ncopp'a 'sta terra,
femmene comm'a te,
nun ce hann''a stá pe' n'ommo
onesto comm'a me...

Femmena,
tu si na malafemmena...
a st'uocchie hê fatto chiagnere,
lacreme 'e 'nfamitá...

Femmena,
tu si peggio 'e na vipera,
mm'hê 'ntussecato ll'ánema,
nun pòzzo cchiù campá...

Femmena,
si doce comm''o zzuccaro...
peró 'sta faccia d'angelo,
te serve pe' 'nganná!

Femmena,
tu si 'a cchiù bella femmena...
te voglio bene e t'odio:
nun te pòzzo scurdá...

Te voglio ancora bene,
ma tu nun saje pecché...
pecché ll'unico ammore
si' stato tu pe' me!...
E tu, pe' nu capriccio,
tutto hê distrutto oje né'...
Ma Dio nun t''o pperdona
chello ch'hê fatto a me...

Femmena,
Antonio de Curtis

Napule e'... (2)

Antonio de Curtis (Totò) (1898-1967)
É um pormenor quase tão grotesco como certas situações dos seus filmes, mas a verdade é que Totò viu oficialmente reconhecido, em 1946, o direito a nomear-se e intitular-se do seguinte modo: "Antonio Griffo Focas Flavio Dicas Commeno Porfirogenito Gagliardi De Curtis di Bisanzio, altezza imperiale, conte palatino, cavaliere del sacro Romano Impero, esarca di Ravenna, duca di Macedonia e di Illiria, principe di Costantinopoli, di Cicilia, di Tessaglia, di Ponte di Moldavia, di Dardania, del Peloponneso, conte di Cipro e di Epiro, conte e duca di Drivasto e Durazzo". Quem diria... Sucede que o cómico napolitano nasceu de uma relação amorosa clandestina entre sua mãe, uma plebeia, e o marquês Giuseppe de Curtis. Este só o reconheceu mais de trinta anos após o seu nascimento.
Poucas personagens foram tão marcadamente portadoras da alma napolitana como Totò - esse pobre diabo desenrascado, zombeteiro pateta, oscilando entre o megalómeno e o servil.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Napule e'... (1)

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Pino Daniele - Napule e' (2000)
A música popular italiana, como, aliás, sucedeu com a francesa, ressentiu-se com a expansão dos modelos do pop/rock - algo que não ocorreu tanto com a música popular espanhola. Deste modo, em França e Itália as modalidades de fusão entre o cançonetismo e o pop/rock foram menos enriquecdoras. Este facto, contudo, não nos deve levar a ignorar propostas artísticas situadas nessa área e que trouxeram algo de original - um exemplo é Pino Daniele. Trata-se de um cantautor que vai buscar grande parte da sua inspiração à riquíssima tradição musical napolitana, conseguindo uma interessante simbiose com a sua matriz de baladeiro rock... Se a isto acrescentarmos uma voz quase de falsete, mas expressiva, temos um resultado original.
Este duplo CD é uma colectânea, podendo ser uma introdução a este artista. Destacam-se uma meia dúzia de temas soberbos - são baladas melodiosas, algumas com o sabor especial que advem do facto de serem cantadas em napolitano. Uma vez mais, tal como no seu tempo o veterano Roberto Murolo provou, é bom experimentar esse doce idioma liberto dos trejeitos de gerações e gerações de tenores, que popularizaram um estereótipo estridente da canção napolitana...

Schizzechea.it

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Pino Daniele - 'O ssaje comme fa 'o core in Sotto o' sole (1992)

domingo, janeiro 21, 2007

Vademecum (4)

Peter Burke - Lenguas y comunidades en la Europa moderna (Languages and Communities in Early Modern Europe) 2006 (2006)

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terça-feira, janeiro 16, 2007

Memória do futebol (3)

Liga espanhola 1964 -65

Campeão: Real Madrid CF (Araquistain; Isidro, Santamaría, Miera; Muller, Zoco; Amancio, Ruiz, Grosso, Puskas, Gento).

01 Real Madrid CF - 47
02 Atlético Madrid - 43
03 Real Zaragoza CD - 40
04 Valencia CF - 38
05 Córdoba CF - 35
06 CF Barcelona - 32
07 Atlético Bilbao - 32
08 Elche CF - 31
09 UD Las Palmas - 29
10 Sevilla CF - 26
11 Real CD Español - 25
12 Real Bétis Balonpié - 23
13 Real Murcia CF - 23
14 Levante UD - 21
15 Real Oviedo CF 20
16 Real Deportivo La Coruña - 15

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Il bel paese (9)

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Riccardo Tesi / Maurizio Geri - Acqua, foco e vento (2003)
Sob vários critérios a Toscana é o epicentro da Itália. A língua oficial da Itália (o italiano) resultou da adopção do toscano como língua oficial de estado, o qual, recorde-se, foi tardiamente criado (último terço do século XIX). Era o idioma dos florentinos, reconhecido como o prestigiado idioma de Dante e Petrarca, que desde finais da Idade Média fora adoptado pelas elites transalpinas. Sucede que, além do mais, era inteligível quer pelas populações que falavam dialectos do norte, quer por aquelas que falavam dialectos do sul. Este facto é demonstrativo de como a Toscana pode ser considerado o lugar da mais genuína italianidade. Ora, este álbum demonstra um outro aspecto dessa centralidade: a música popular tradicional. Ao ouvi-lo encontramos elementos do norte e do sul. A sonoridade do organetto diatonico sugere algo do Norte. Os ritmos, muitos deles dançantes, deixam-nos um sabor meridional. O jogo de vozes sublinha o carácter mediterrânico.
Já tinha notícia de que Riccardo Tesi era um virtuoso do acordeão tradicional (organetto diatonico). Com o irlandês Kirkpatrick e o basco Kepa Junkera participara no projecto Trans Europe diatonique. Por outro lado, não ignorava a importância da fisarmonica (acordeão comum) na música italiana em geral, nem, tampouco, a sua popularidade. Em Amarcord, de Fellini, vê-se como em Rimini estava presente nas romarias de rua. Riccardo Tesi é de Pistoia, cidade de pergaminhos históricos, situada no norte da Toscana. Tem um longo trabalho de recuperação e divulgação do organetto. Pois este álbum, feito em parceria com Maurizio Geri, é um comprovativo do seu virtuosismo. Mas é mais do que isso. É, em riqueza instrumental, uma das mais notáveis gravações que conheço na música popular tradicional. Nele participam vários músicos de grande qualidade, nomeadamente a vocalista Anna Granata. Acqua Foco e Vento é obrigatório para quem queira introduzir-se na música popular tradicional italiana. Ouça-se, por exemplo, La ballata del carbonaro que bem se pode considerar uma síntese das suas qualidades.
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Riccardo Tesi / Maurizio Geri - La ballata del carbonaro in Acqua, foco e vento (1968)

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Viagens (16): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (6)

4º Dia (3ª Feira / tarde)
A chegada a Siena não proporcionou uma vista panorâmica, pois a cidade estende-se por uma encosta em sentido oposto àquele por onde tinha entrado. É amuralhada. Detém um património riquíssimo. Perdeu importância desde finais da Idade Média, mas não se pode dizer que ficou à margem do tempo. Tem cerca de 50.000 habitantes e é capital de província.
Desgraçadamente, o calor era ainda mais intenso. Entrar no centro da cidade com o carro era impossível. Mas, tal como tinha verificado na planta, do local onde estava até ao centro era mais de um quilómetro, por ruas muito estreitas. Estacionado o carro num terreiro do lado exterior das muralhas, decidi tomar um transporte urbano - um dos mini autocarros que já tinha visto passar. Em menos de um quarto de hora, surgiu um que me levou até à praça da catedral. A fachada é mais exuberante que a de Florença e de grande beleza. O interior é, provavelmente, mais valioso, quanto mais não seja pela decoração do pavimento. Além disso, mais prosaicamente, era um refúgio para o calor... Infelizmente, assim sentia também a multidão de turistas que a abarrotava... Era demasiada gente. Em face da situação, tornou-se pertinente procurar a famosa Piazza del Campo.
Sempre a descer cheguei à mais bela praça alguma vez vista. A torre do Palazzo Comunale domina um vasto terreiro em semi-circulo. As casas de tonalidade rosada reforçavam a luminosidade, de modo que, vindo da semi-obscuridade das ruelas, foi grande o impacto. Nesta praça realiza-se, duas vezes por ano, o Palio – corrida de cavalos realizada com todo o aparato medieval. Cada cavalo representa uma contrasta (bairro).
Siena tem uma antiga e prestigiada universidade, o que reforça ainda mais o seu valor. Segundo o meu conceito de cidade, é um exemplo de perfeição (sem o atroz calor que assolava...). À primeira vista viver lá é um privilégio. Não me esqueci, precisamente, que devido às suas funções docentes na universidade, aí vive Antonio Tabucchi, o mais destacado lusófilo da intelectualidade europeia. Vi-o uma vez, numa noite de verão, na mesma bicha em que eu estava para jantar, num restaurante de Santa Luzia (Tavira), em situação vulgaríssima de férias familares. Tabucchi será duplamente privilegiado, pois, parece, que vive metade do ano neste paraíso e a outra metade na parte antiga de Lisboa, o que, sob certas condições, não deixa de ser também um privilégio.
No regresso a Florença quis entrar pela estrada que passa junto ao Belvedere de Piazzale Michelangelo. É um miradouro que está em Oltrarno, ou seja, do outro lado do Rio Arno. Parei e apreciei a vista panorâmica. Lá está também outra réplica de Davide. É por aqui que se deve entrar na cidade, pois é uma apresentação digna de bilhete postal.
Depois, andei por zonas periféricas para conseguir encontrar a garagem onde teria de devolver o carro alugado. Não foi fácil. Nessa busca passei junto ao Stadio Artemio Franchi onde joga a Fiorentina e onde, até poucos dias antes, Rui Costa exercera de ídolo. Eram vários os cartazes publicitários onde estava presente. Nas páginas do diário local La Nazione, a comoção pela perda do jogador para o AC Milan era testemunhada em vários artigos – o acontecimento era apresentado como o símbolo da falência da societá viola, que se via, assim constrangida à lógica de “vão-se os anéis, ficam os dedos...”.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Boulevard nostalgie (24)


Jacques Dutronc - Il est cinq heures, Paris s'éveille (1968)

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Boulevard nostalgie (23)

Antony Beevor / Artemis Cooper - Paris após a libertação: 1944 - 1949 (1994)

De Antony Beever já tinha lido três obras: A Guerra de Espanha, Stalinegrado e A queda de Berlim. É um historiador ao bom velho estilo britânico. Esta obra, porém, sai um pouco do estilo. Feita em parceria com a sua mulher, Artemis Cooper, tem uma forte componente mundana, não deixando de ser, essencialmente, história política. O mundano advém da utilização de um grande manancial de fontes situadas em sectores sociais privilegiados, particularmente nos meios diplomáticos. Com efeito, Artemis Cooper é neta daquele que era o embaixador britânico em Paris nesses tempos. É uma perspectiva culta, curiosa e artística, bem pertinente quando se trata de uma cidade como Paris.
A grande conclusão que tirei é que esta cidade tem em si o sortilégio de, nas mais difíceis condições, nunca perder o encanto e o requinte. Mais ainda, tem (ou tinha…) o poder de sustentar um ininterrupto fervilhar de ideias e expressões artísticas, mesmo em situações limite. E tal, sem que os sectores responsáveis por este carácter imanente se alheiem da realidade política. Bem pelo contrário, a política sempre penetrou a vida artística e intelectual parisiense, de um modo, porventura, até, exagerado.
Outras conclusões se podem tirar: as dificílimas condições de vida do pós-guerra persistiram até, praticamente, ao final da década; o poder e a fraqueza do gaullismo vinham das suas insuperáveis contradições; o estalinismo do Partido Comunista Francês proporcionou exemplos da mais sórdida hipocrisia; o Plano Marshall foi imediatamente decisivo para libertação da miséria e da ameaça comunista. É um livro que se lê de bom grado, com proveito e é adequado a vastos públicos.

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segunda-feira, janeiro 01, 2007

American dream (8)

Johnny Cash - Man in black: The very best of Johnny Cash (2002)
Da América profunda vem a música de Johnny Cash - a América vigorosa, decidida e individualista; de valores simples e sólidos. Um desses valores é o orgulhoso patriotismo. Nesta colectânea, criteriosa e excelentemente apresentada, figura, precisamente, um dos seus temas mais patrióticos, That ragged old flag. Mais do que uma canção é um poema declamado. Criado e interpretado pelo próprio com a devida carga emocional. Passa em revista momentos marcantes da história nacional, curta, mas recheada de feitos heróicos. Originalmente, figura num álbum do mesmo nome, exclusivamente dedicado à temática patriótica, onde na capa, o artista aparece com a bandeira nacional desfcraldada em fundo. Esta colectãnea abrange exemplos muito diversos da música produzida durante uma longa carreira. Inclui, por exemplo, outro dos temas mais carismáticos, o que foi gravado ao vivo num espectáculo efectuado na prisão de Folson. Foi, aliás, um tema composto expressamente para esse insólito espectáculo e que o abriu. Depois de ouvir o álbum apetece dizer: God bless America!.

Johnny Cash - Folson Prison Blues (Live version) in Man in black: The very best of Johnny Cash (2002)