quinta-feira, dezembro 23, 2004

Boulevard nostalgie (18)

CD: Charles Aznavour - La Bohème (1965)
Os anos 60 são os melhores anos de Aznavour. A sua voz estava na plenitude e são de então os seus maiores êxitos. Eram tempos em que os tops se compatibilizavam com a qualidade e em que o pop/rock anglo-saxónico ainda não dominava esmagadoramente. Nese tempo, portanto, Aznavour estava longe de se limitar a ser um fenómeno do mundo francófono, tinha uma grande projecção mundial (como Dalida e Bécaud, por exemplo).
La Bohème é de 1965 e será uma das mais belas canções de sempre. O seu lirismo é indissociável da expressiva interpretação de Aznavour. Também no álbum se encontra um outro tema excepcional, Paris au mois d'août - que é genuinamente aznavouriano. Este CD reúne não apenas os temas do álbum original, mas também mais algums outras editados em EP ou single entre 1963 e 1966.
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Boulevard Nostalgie (17)

Charles Aznavour (Chahnour Varenagh Aznavourian)(Paris, 1924)
Se há voz com um timbre carismático, a de Aznavour é uma delas. Se a de Sinatra seduz pelo poder, a de Aznavour seduz pelo calor expressivo. É um intérprete por excelência de canções e a prova de como em pouco mais de três minutos se pode transmitir o mais alto prazer da arte musical. Nada é banal na sua voz. Mais do que ninguém (com excepção de Edith Piaf), representa as virtualidades da chanson. E curiosamente, em rigor, não é um francês puro... Descendente de arménios exilados (a família Aznavourian foi obrigada pelos horrores do genocídio arménio a uma errância sem destino definido), nasce em Paris por acaso. Mas, seja lá como for, Aznavour é intrinsecamente francês!
Nas nossas FNACs apareceu agora a sua obra integral (L'Intégrale) reunida numa enorme caixa que é uma peculiar réplica do Arco de Triunfo. São 44 álbuns, 786 canções, 64 páginas e... 700 euros. Sendo eu comprador compulsivo de CDs, DVDs e livros, assim estoirando, mês após mês, o meu salário quase até ao último cêntimo, senti-me tentado a elevar qualitativamente a incontinência com a aquisição de tão extravagante produto. Mas contive-me! (héllas, que remédio...)
A página oficial de Aznavour é monumental, mas há outras muito boas também. Eis um artista que está representado na rede a um nível verdadeiramente correspondente ao seu valor!

American Dream (3)

Toponímia Francesa na América do Norte
O sonho americano, antes de se concretizar anglo-saxonicamente na forma individualista e competitiva de encarar a vida, foi um sonho vago, assente num Novo Mundo de recursos ilimitados, com oportunidades para os que arriscassem passar o Atlântico. Neste sentido, começou por ser uma aventura de espanhóis (El Dorado); foi de portugueses (bandeirantes do sertão brasileiro) e de holandeses; e foi também de franceses...
Até meados do século XVIII a América do Norte era um Novo Mundo tripartido entre Espanha (Florida, West e Far West), Inglaterra (Costa Leste e Norte) e França (Mid West). Na verdade, mais até do que a Espanha, a França estava envolvida num consistente projecto de colonização da América do Norte. Enquanto o Império Espanhol, espraiando-se por vastidões de todas as Américas, deixara um pouco ao abandono os seus longínquos territórios do Oeste, a França pós-Richelieu, potência de primeira grandeza, concentrara a parte decisiva das suas energias ultramarinas no esforço de garantir uma forte presença no Centro e no Nordeste. Em vésperas da Guerra dos Sete Anos (1756-1763) dominava todo um conjunto de territórios a oeste dos Apalaches, que configuravam um arco que se estendia desde as margens do São Lourenço (Québec) até ao delta do Mississipi (Louisiana). Mais importante ainda é saber que nas extremidades deste arco havia fortes núcleos de colonização com tendência para se expandirem. Eram núcleos connstituídos, sobretudo, por empreendedores huguenotes. Nos territórios intermédios havia uma presença militar que seria superior, em qualidade e quantidade, à dos ingleses na Costa Leste. Havia também comerciantes franceses que exploravam rotas assentes no comércio de peles e, sobretudo, importantes núcleos de jesuítas franceses. Estes últimos conseguiram cristianizar e afrancesar vários povos índios, quer do ramo algonquíno, quer do ramo dos nómadas das pradarias centrais. Note-se que a maior parte dos algonquinos lutou ao lado dos franceses na Guerra dos Sete Anos.
Perante esta realidade, em meados do século XVIII, qualquer projecção sobre o futuro da América do Norte, poderia imaginar com razoabilidade, que à França estaria reservado o destino de potência dominante. A Guerra dos Sete Anos desfaria qualquer possibilidade de tal vir a concretizar-se. Mas, dos tempos anteriores ficaram abundantes marcas: o Québec, como comunidade homogénea francófona; a Louisiana, com a sua herança cultural francesa; a nomenclatura de povos índios, como Cheyenne e Assiniboine, que denotam uma transcrição pela grafia francesa; a toponímia. Em relação a este último aspecto, vejamos alguns exemplos, sem ter em conta o Québec e sem pretender ser minimamente exaustivo:
Detroit (1701 - Antoine de Cadillac funda Pontchartrain de l'Étroit), Marquette, Sault Saint-Marie, Pontiac, Cadillac, Charlotte, Saint-Claire (Michigan); La Crosse , Fond du Lac (Wiscosin); Terre Haute (Indiana); Belleville, Champaign, Du Quoin, Rochelle (Illinois); Des Moines, Dubuque (Iowa); Saint-Louis , Mâcon, Cape Girardeau (Missouri); Bâton Rouge, Thibodaux, Laplace, Plaquemine, Ville Platte, Abbeville (Louisiana).

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Viagens (3): New York - New Jersey / Agosto de 2000 (3)

Notas de férias: Habitações
A grande maioria da população norte-americana vive em habitações unifamiliares, em madeira ou aglomerados sintéticos com madeira, de construção por módulos pré-fabricados. O resultado é contraditório. Por um lado, são, geralmente, bonitas, amplas, muito confortáveis (quentes no inverno; frescas no verão), mais protegidas da humidade e económicas. Por outro lado, pelo menos para mim, não deixam de dar a sensação de insegurança, na medida em que um simples caminhar pelo soalho implica algum estremecimento da estrutura e a abundante presença da madeira sugere vulnerabilidade a incêndios. Para quem está habituado à nossa realidade é difícil perder uma sensação de precaridade. Sensação que é reforçada quando se observa que, pelo nenos naquela zona de New Jersey, quase toda a gente tem casa alugada e não passa pelo plano de vida dos jovens comprar casa. Na verdade parece existir uma grande facilidade em mudar de casa - mesmo na comunidade portuguesa concentrada em Ironbound (Newark) é comum a mudança de casa sem sair dessa zona. Percebe-se, desde logo, que existe um mercado de habitação para alugar, o que implica uma vida preparada para mudanças. Este desprendimento do lugar onde se vive é, aliás, um símbolo de uma mutabilidade social que pouco tem a ver com os padrões da sociedade portuguesa. É curioso observar como os portugueses aí instalados se adaptam facilmente a esse estilo de vida.

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Dancing Days (10)

Van McCoy (1940-1979)
Precocemente desaparecido, com apenas 39 anos, Van McCoy permanecerá, no entanto, sempre ligado ao auge do Disco Sound. A sua carreira musical, embora curta, foi muito preenchida, sobretudo como compositor e produtor de grupos pop (The Shirelles - anos 60) e soul (The Styilistics - anos 70). Mas, em 1975 estoira com um êxito absoluto, que se tornará um dos mais emblemáticos do Disco Sound: The Hustle (mais de 8 milhões de singles vendidos!). A dimensão deste fenómeno fez obscurecer a sua profícua trajectória. Ainda hoje, este tema permanece como detendo uma sonoridade das mais identificadoras dos anos 70...

Dancing Days (9)

CD2: KC and the Sunshine Band - 25th Anniversary Collection (1999)
No Disco Sound, poucos grupos tiveram tanta relevância como este. No que diz respeito a tops, nenhum alcançou tantos êxitos, nem mesmo os Bee Gees. A partir da Florida, o grupo de Wayne "KC" Casey (um branco...), fez um som negro ligeiro, para dança, mesclado com algumas referências latinas. Comercialmente foi um produto que se aguentou na primeira linha do sucesso entre 1975 e 1984. Ou seja, até para além do período áureo do Disco Sound. No USA Top40 (Singles) teve cinco #1 : Get down tonight (1975); That's the way (I like it) (1975); Shake your booty (1976); I'm your boogie man (1977); Please don't go (1979). O arrebatador Give It Up, que não teve o mesmo sucesso (#18), é de 1984.
A sua importância está bem presente nos nostálgicos do Disco Sound, tal como se pode verificar nesta lista do sítio Seventies Dance Music Page.

Dancing Days (8)

CD2: Disco / 40 Grandes Clássicos do Disco Sound (2004)
Esta compilação foi feita para o mercado português e em boa-hora, já que, entre nós, nunca se deixou de fazer sentir o eco de uma remota censura sobre o disco sound e, portanto, nunca abundaram iniciativas que viessem ao encontro da nostalgia disco. Tem este mérito básico, mas não deixa de ser pertinente observar que a opção por um único tema por artista, se tem alguma lógica, não deixa de acarretar inconvenientes, pois não dá o devido peso aos nomes mais significativos. Menos compreensível é a ausência dos Bee Gees, dos Boney M, com o poderoso Daddy Cool, ou de Peaches & Herb. Estes factores constituem um dano irreparável para a sua representatividade. Também é de lamentar a má qualidade audio de alguns temas. Contudo, há coisas muito positivas. A saber: o non-stop na ligação entre os temas, que é totalmente adequado ao género, sugerindo o ambiente de discoteca; a inclusão de certos temas emblemáticos, que no seu tempo não tiveram aqui a correspondente repercussão do seu êxito nos Estados Unidos. Neste último caso destaco: KC & The Sunshine Band - That's the Way (I Like It); Van McCoy - The Hustle; Hot Chocolate - You Sexy Thing; Patrick Juvet - I Love America; Lipps Inc - Funkytown. ~
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