quarta-feira, abril 27, 2005

Vademecum (3)

Henriette Walter - A aventura das línguas do ocidente (1994)
Para quem se interessa muito por línguas, não sendo, nem pretendendo ser, porém, um especialista, este é um livro a ler. De uma forma bastante acessível temos aqui um compêndio sobre a história e geografia das línguas europeias. É mais um exemplo de como a erudição pode estar eficazmente ao serviço da divulgação.
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Vademecum (2)

Richard Hill - Nós, Europeus (2001)
É um livro de leitura fácil. Em tom de divertida sátira, por vezes caricatural, aqui e ali raiando a polémica, um jornalista inglês, que apropridamente vive em Bruxelas, vai dando as suas impressões sobre o que se pode designar como temperamento colectivo (a pertinência do conceito é discutível...) dos vários povos da europeus. Alguns títulos de capítulos podem ajudar a perceber o teor destas considerações:
Os britânicos: uma sociedade sentimental;
Os franceses: os individualistas curiosos;
Os alemães: os místicos metódicos;
Os espanhóis: os igualitários egocêntricos;
Os italianos: os estetas por natureza;
Os luxemburgueses: os internacionalistas introvertidos;
Os holandeses: os dogmáticos democratas;
Os suiçps: os pacifistas práticos;
Os austríacos: os esquizóides sentimentais;
A orla céltica: a maravilha do Ocidente;
Os noruegueses: os marginais obstinados;
Os dinamarqueses: os extrovertidos empreendedores;
Os suecos: os realistas racionais;
Os finlandeses: os pragmáticos apaixonados;
Os portugueses: os românticos passivos;
Os gregos: os improvisadores inteligentes;
Os húngaros: os analistas lúcidos;
Os eslavos: uma miscelânea cultural.
Há observações certeiras, outras desajustadas, mas há, sobretudo, bastante verve e o resultado é muito divertido, sem deixar de ser instrutivo.
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Vademecum (1)

Felipe Fernández-Armesto (dir) - Los hijos de Zeus / Pueblos, etnias y culturas de Europa (1994)
Bem perto de nós há lugares distantes. Frequentemente se esquece que a Europa é um denso mosaico de povos, etnias e culturas. Muitas vezes as diferenças entre vizinhos são dramáticas. Para alá da retórica, os europeus ignoram-se mutuamente, mais do que se supõe. Por detrás de lugares-comuns desde há muito entranhados, cada povo encarregou-se de fixar uma imagem e opinião sobre a vizinhança e estas ficaram fixadas ao longo dos tempos. A maior parte das vezes esta percepção da vizinhança é francamente hostil, por razões compreensíveis ou não - em larga medida este cenário sustentou um passado de guerras... Seja como for permanece uma espantosa ignorância - quem sabe, por exemplo, que a afinidade linguística entre finlandeses e escandinavos é quase nula? Que o mesmo se pode dizer da afinidade dos húngaros com os seus vizinhos eslavos? Ou que os bascos a terem alguma remota afinidade é, precisamente com hungaros e finlandeses? Quem tem a noção de que o que é hoje toda a periferia da França foi até finais da Idade Média um denso mosaico de línguas? Quem sabe que, desde finais da Idade Média as elites do Noroeste de Itália se tornaram francófonas e as do Norte e Nordeste germanófonas? Todas estas coisas e muitíssimas mais constam desta autêntica enciclopédiazinha - obra colectiva, dirigida pelo professor espanhol de Oxford, Fernández-Armesto. Para mim é um vademecum.
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terça-feira, abril 19, 2005

Soulsville (5)

sexta-feira, abril 08, 2005

Tiro ao Alvo (2)

Viva Carlos e Camila!
São feios, antipáticos, flagrantemente fora de moda. Carentes de glamour. Pouco mediáticos, enfim... O príncipe é mesmo um bota de elástico, de gostos trivialmente convencionais. Não é nada espontâneo e tresanda a formalismo serôdio. Ela arrasta o estigma de adúltera e meio mundo revê nela o sempiterno estereótipo da bruxa feia... e ainda por cima (once more) a-d-ú-l-t-e-r-a! Pior ainda quando paira sobre eles a imagem da Princesa Diana... (um dos mitos mais idiotas entre todos os muitos que o hodierno circo mediático tem fabricado)
Eu gosto deste casal. Para já são a prova provada contra as beldades que pode haver um lugar de encontro para o amor ao qual não se chega necessariamente por essa vantagem adicional. São também a prova provada contra os cobardes que muitas e muitas vezes para chegar a esse lugar é preciso ter coragem.
Hurra, hurra e hurra!

sexta-feira, abril 01, 2005

Soulsville (4)

Isaac Hayes - Chocolate Chip (1975)
É o penúltimo álbum de Ike para a Stax e o primeiro da sua etiqueta Hot Buttered Soul. É também a última gravação com bom acolhimento na crítica e no mercado, antes de um efémero reaparecimento em meados dos anos noventa. Precede, portanto, um longo declínio. Dir-se-ia um dos último suspiros, mas... de grande fôlego. Longe, muito longe do luxo de produção de alguns anos antes - foi gravado quase improvisadamente e com escassos meios - Chocolate Chip é, contudo, pleno de garra e nele aparece em elevada dose um dos melhores atributos da sua música: a sensualidade, ou melhor, o erotismo... Este reveste quatro vertentes: as palavras (simples, mas mais que sugestivas... em vários temas), a ambiência (em Body Language), a melodia (em That loving feeling e muito especialmente no soberbo Come live wth me) e o ritmo (em Chocolate Chip).
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